Calada da noite.
A única coisa que consigo ouvir é meu coração.
Tum-Tum.
Você pegou no sono faz uns cinco minutos, mas, mesmo assim, eu não consigo trabalhar aqui. Abro e fecho arquivos. Tá tão silencioso aqui.... tá faltando tua voz para que eu me desconcentre. Tá faltando piadas fora de hora, para que eu ria.
Dá pra girar, aqui, de um lado pro outro, a noite inteira.
Eu preciso trabalhar.
Tum-Tum.
Tão sereno... nem parece que estava me atormentando de todas as maneiras possíveis.
Bobeira baixinha, riso rouco — ele sabe meu ponto fraco e sabe quando estou para sucumbir. Ele todo é assim.
Sereno, dormindo de barriga para baixo, de cueca, uma mão pendendo para fora da cama. Dá pra perceber que é do tipo espaçoso em uma simples piscada.
Cada novo dia, cada nova hora, é uma nova descoberta.
Tum-tum.
Olho por um bom tanto, esperando algo acontecer — uma luz, uma conversa, um suspiro, um nome; mas nada acontece.
Caminho pela casa, tomo café preto amargo, acerto a minha lixeira com bolinhas de papel, bato a cabeça de leve na parede. Suspiro, suspiro, suspiro. Quero entregar isso a tempo.
Quero que isso saia a tempo.
Quero...
Coço a nuca com um lápis, mastigo a ponta da caneta.
Tum-t...
“Ei, você ainda está acordada? Tá frio larga isso aí. Deita aqui” um sorriso travesso “e pode deixar que eu te esquento”.
Não preciso pensar duas vezes.
E quando percebo são dois — somos dois.

Tum-tum-tum-tum.


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