Eu sou chuva.
Na maior parte do tempo, sou chuvisco, sou garoa.
Não incomodo ninguém e vivo tranquilamente nos meus mundinhos de sonhos, alegrias e histórias de finais felizes.
Em tempos de dores é que me lembro da fera amordaçada que existe dentro de mim, que há uma tempestade transbordando no meu coração.
Em tempos de paz, lembro que também sou o efeito pós-chuva: sou sete cores e sou arco, sou luz.
Em tempos de amor, sou chuvisco. Caio continuamente, caio devagar, caio para ter amor, para fazer amor, para construir amor.
Em tempos de tristeza, não caio. Apenas nuvem cinza encobrindo o sol, segurando, segurando, trovejando. Sendo.
De tempos em tempos, de dia em dia, hora em hora, sou chuva.
Às vezes, quente; outras, fria. Levito. Caio. Descarrego. Mas sempre volto. E sempre levo.
Eu sou chuva.

Assim.


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